Do saudosismo em Casemiro de Abreu faço desejo de vivacidade

Em tempos de turbulência social – política, como o atual, não é difícil observar pessimismo e melancolia dentre a população. Como estudiosa de literatura, fico me perguntando se as produções literárias estudadas daqui a cem anos retratarão o desgosto existencial daqueles que viveram a nossa história, tal qual os ultrarromânticos traduziram a que experienciaram em seus versos.

Uma leitura superficial das obras compostas em meados 1853 poderia nos fazer supor que a tratativa é sobre o amor sofrível por ser inalcançável, o amor eros que movimenta a vida e, justamente por ser platônico, deixa-a em estado de paralisia, tornando-a insossa, daí o desejo exprimível em muitos textos pela morte, que é tida como um livramento.

“Eu deixo a vida como deixa o tédioDo deserto, o poento caminheiro,Como as horas de um longo pesadelo”.Álvares de Azevedo (1853) 

Casemiro de Abreu, poeta carioca, também se desdobrou em papéis para expressar a tristeza de viver em meios à saudade de um período da vida, no qual a ignorância infantil o fazia não se preocupar com as questões que circundam a humanidade.

“Oh! dias de minha infância! Oh! meu céu de primavera!Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora,Eu tinha nessas delíciasDe minha mãe as caríciasE beijos de minha irmã!”

A consciência da realidade transmutou poeta e poesia em

De tanto fogo tinha a mente cheia!…No afã da glória me atirei com ânsia…E, perto ou longe, quis beijar a s’reiaQue em doce canto me atraiu na infância.Ai! Loucos sonhos de mancebo ardente!Esp’ranças altas… Ei-las já tão rasas!…- Pombo selvagem, quis voar contente…Feriu-me a bala no bater das asas!

Dizem que há gozos no correr da vida…Só eu não sei em que o prazer consiste!- No amor, na glória, na mundana lida,Foram-se as flores – a minh’alma é triste!!

Supondo que a vida é nutrida, significada e validada por meio da presença do amor, o que dizer quando se observa um recorte histórico no qual ele apenas figura? A literatura como um todo, especialmente aqui em Casemiro de Abreu, revela que em todos os tempos amar, no sentido amplo da denotação, é requerido pelo ser. A ausência desse sentir leva à melancolia, pessimismo e saudosismo tão bem retratado na Segunda geração Romântica a qual pertence Casemiro.

Assim, enfim, desejo que o saudosismo nacionalista dos ultrarromânticos dê lugar a uma nova tropicália.

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