HAL WILDSON – ARTE, RESISTÊNCIA E HISTÓRIA

 

Hal Wildson, renomado artista originário de Goiás e nascido em 1991 na região do Vale do Araguaia, situada na fronteira entre Goiás e Mato Grosso, é amplamente reconhecido por suas investigações no âmbito dos conceitos de escrita, identidade e a reconstrução de memórias coletivas e autobiográficas, todas elas profundamente imbuídas de questões sociais e políticas.

O cerne de sua pesquisa gira em torno da memória e do esquecimento, constituindo a base de seu trabalho voltado à exploração da criação de territórios narrativos por meio de símbolos e documentos que funcionam como instrumentos de edificação e reedificação, tanto no âmbito pessoal quanto no coletivo.

Em seus trabalhos, Wildson de forma constante embarca em um processo criativo inovador, valendo-se das nuances sensíveis proporcionadas por materiais como cartas, documentos pessoais, carimbos e máquinas de escrever para conceber compartilhamentos de narrativas essencialmente coletivas.

Hal Wildson, artista multimídia e poeta de ascendência mestiça, teve sua origem em 1991 no Vale do Araguaia, uma localidade de importância crucial para a compreensão das raízes e motivações subjacentes à sua obra. Sua pesquisa emerge de suas experiências vividas no sertão do Centro-oeste, estabelecendo um diálogo com as questões sociopolíticas que moldam o panorama brasileiro.

Explorando a noção de memória versus esquecimento, identidade e a “escrita-reescrita” da história, o artista, que atualmente reside e trabalha em São Paulo, apropria-se de materiais e procedimentos de documentação que, ao longo das últimas décadas, foram utilizados como instrumentos oficiais para registrar a história do país, incluindo a datilografia, datilogramas, carteiras de identidade e carimbos.

Hal Wildson chegou ao Rio de Janeiro em 16 de janeiro para uma residência artística de um mês na sede do Instituto Inclusartiz. Sua participação nesse programa inovador resultou de uma colaboração inédita entre o instituto e o Arte Pará, que ofereceu uma bolsa para que um dos participantes da 40ª edição da tradicional mostra de arte paraense integrasse o Programa de Residência Artística e Pesquisa do Inclusartiz.

“Nasci em um lugar do Brasil distante da arte, da cultura elitista e do eixo artístico brasileiro, a minha produção naturalmente partia da minha vivência no sertão, das minhas lutas e dores, fazer arte foi a forma que encontrei de sobreviver. Hoje, mantenho o olhar atento para a história do Brasil utilizando essas memórias como mecanismo de ativação e criação de novas narrativas de combate a desigualdade e as injustiças brasileiras”.

ALGUMAS DE SUAS OBRAS

SÉRIE: DOCUMENTOS DE IDENTIDADE

A carteira de identidade oficializa, com uma foto 3 x 4 da bandeira e um mapa no lugar da impressão digital, a herança colonizadora, escravocrata e conservadora do Brasil. Neste trabalho, Hal Wildson, nascido no Vale do Araguaia, região fronteiriça de Goiás e Mato Grosso, investiga documentos pessoais e oficiais como ferramentas de manipulação de memórias. O artista discute como a criação do Brasil foi moldada por ficções e projetos de poder, permeada por uma história oficial controlada pelo olhar do opressor. O documento torna se suporte para a oficialização das formas de apagamentos sociais e o estado de crise de suas instituições, colocando em questão a formação e a identidade do povo, dentro de uma noção imposta de identidade nacional.

(Revista SeLect edição 2022 (Arte e Política), texto Luana Rosiello

SÉRIE: MEMÓRIA E INFÂNCIA

Nessa fase a pesquisa se volta para a reconstrução de memórias afetivas de sua infância, criando cenas fictícias baseadas em fotos documentais de domínio público. Nessa pesquisa a criação de cenas fictícias serve ao artista como a possibilidade de reescrever a própria infância, criando um território imagético que o afaste da violência e opressão que viveu quando criança. 

“Nesse trabalho eu faço um resgate de memórias e cartas autobiográficas de minha trajetória pessoal transformando-os  em documentos de memória social e de esperança. Os textos datilografados sobre os papéis constroem uma trama de letras e palavras que na medida em que se perdem na imensidão de milhares de caracteres, revelam a imagem formada por milhares de letras, com os dizeres: “memória, palavra, esquecimento” que se repetem no corpo do texto imagético.

“Somos feitos daquilo que lembramos e moldados pelo que esquecemos? De que forma o resgate da memória possui papel construtor em nossas narrativas? O esquecimento e a lembrança fazem parte de um corpo responsável pela construção e reconstrução da nossa identidade, rememorar é construir o passado com as lentes do agora e cultivar o futuro com as sementes da memória. As cartas que escrevo e envio ao passado me fazem entender o futuro que estamos ´reconstruindo`” diz Hal.

CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE O ARTISTA E SUAS DEMAIS OBRAS.

 

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