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E se, no lugar do amor, que é afeito a regras que se apressam em defini-lo, a gente colocasse o cuidado?

Nós substituiríamos, do manual de conduta dos amantes, as palavras românticas em momentos especiais por gestos e atitudes que se repetiriam várias vezes ao longo das relações que construíssemos.

Passaríamos a vê-lo nas tolices ditas com a intenção de nos fazer rir, na preocupação constante sobre como foi o dia e na lembrança despretensiosa que imediatamente arranca um riso bobo, sem aparente motivo.

Se a gente o chamasse de cuidado, notaríamos que todos somos capazes de senti-lo e, certamente, enxergaríamos sua presença em mais lugares e mais vezes.

A gente perde muito tempo tentando definir os sentimentos, na ânsia de encontrar segurança e, no conforto dos conceitos, as respostas às perguntas que nos fazemos em silêncio.

É como se, ao termos certeza do que são, pudéssemos dominá-los, entendê-los. O velho erro romântico de supor que eles estão nas palavras. Como se a vida pudesse ser apenas teoria.

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