Estudante da rede municipal de Salvador, a jovem escritora encontrou na imaginação, no incentivo materno e no ambiente escolar os primeiros caminhos para transformar suas histórias em literatura.
Antes de escrever um livro, Mariah Victoria Marcolino do Rosário já tinha seus personagens, suas histórias e uma plateia muito particulares: as próprias bonecas. Aos oito anos, a menina descobriu que a imaginação podia fazer muito mais do que inventar brincadeiras, principalmente quando as palavras começaram a ganhar a forma de histórias escritas. Talvez tudo tenha começado um pouco antes, quando ouvia a mãe ler e modificar os enredos dos livros, dando às personagens novas aventuras e fazendo com que cada leitura parecesse um lugar onde também era possível entrar. Foi assim, entre as histórias que escutava e aquelas que passou a inventar, que a pequena escritora encontrou uma maneira de construir seus próprios mundos.
Aluna da Escola Municipal Dom Pedro I, localizada na Praça de Paripe, em Salvador, Mariah foi uma das jovens vozes que a Revista Aorta teve a oportunidade de conhecer durante sua participação no projeto “As literaturas que flutuam em Ilha de Maré”. A iniciativa contou com a participação de três unidades de ensino: a Escola Municipal Dom Pedro I, a Escola Municipal de Botelho e a Escola Municipal de Bananeira, sendo estas duas últimas localizadas em Ilha de Maré. Embora tenha chegado recentemente à escola, Mariah já despertou a admiração de seu professor, Idelvan dos Santos Ramos, que a descreve como uma menina inteligente, amorosa, comprometida e especialmente interessada pelos livros. Seu olhar nos ajuda a compreender a importância de uma escola que não se limita a ensinar a ler, mas também procura alimentar o desejo de continuar lendo, escrevendo e descobrindo o mundo.
Para a Revista Aorta, conhecer Mariah reafirma um compromisso que acompanha nossa trajetória editorial: abrir caminhos para quem está começando, aproximar autores de leitores e contribuir para que o sonho de escrever não permaneça restrito a quem já conquistou reconhecimento. Democratizar a literatura também significa reconhecer uma escritora antes que o mundo aprenda seu nome, oferecendo visibilidade àquilo que ela já tem a dizer. Nesse percurso, o trabalho de escolas públicas como a Dom Pedro I, que pode ser acompanhada pelo Instagram @escoladompedroprimeiro, ganha uma importância que ultrapassa a sala de aula. Afinal, uma criança que descobre o prazer de escrever talvez ainda não saiba aonde suas palavras poderão chegar, mas já começou a perceber que elas podem levá-la muito longe.
Entrevista com Mariah Victoria Marcolino do Rosário
Revista Aorta — Qual é o seu nome completo e quantos anos você tem?
Mariah: Meu nome é Mariah Victoria Marcolino do Rosário e tenho oito anos.
Revista Aorta — Como começou sua paixão pelas artes e, principalmente, pela escrita?
Mariah: Quando eu via a minha mãe inventando e modificando histórias para mim, lendo livros. O jeito dela ler era sempre divertido, parecia que eu estava dentro da história.
Revista Aorta — Quais tipos de livros você mais gosta de ler?
Mariah: Gosto de livros de romance, de tudo que tem príncipe. O que mais gosto é A Princesa e o Sapo. Também gosto de livros que falam da força e da ancestralidade, da cor do cabelo, da pele e da luta na sociedade.
Minha mãe sempre gostou de teatro e me leva sempre que pode. Eu também participei da Funceb no ano passado. Vou voltar no ano que vem, porque este ano foi difícil para ela me levar.
Revista Aorta — Como você, enquanto mãe, procura incentivar essa expressão artística em Mariah?
Mãe de Mariah: Ela não tem participação paterna. Mas eu amo cultura, museus, arte, arte de rua, cinema e teatro. Levo Mariah para participar de dança afro, hip-hop e balé. Ela também participa de peças de teatro com as colegas e inventa brincadeiras com as bonecas.
Revista Aorta — Mariah, como surgiu a ideia de escrever seu livro?
Mariah: Meu primeiro livro que eu escrevi foi contando a história para minhas bonecas. Aí, como eu gostei muito, continuei e escrevi um livro para fazer uma gincana da escola.
Revista Aorta — Qual é o seu maior sonho?
Mariah: Quero ser médica obstetra e trabalhar com artes.
Revista Aorta — Para você, como mãe, qual é a importância da leitura e da escrita para crianças da idade de Mariah?
Mãe de Mariah: Assim como incentivei o irmão dela, que hoje é professor de música, aos 27 anos, faço o mesmo com ela. A criança deve ser curiosa, assim ela vai gostar de tudo que se refere à história da vida passada e à atual.
Revista Aorta — Professor Idelvan, como o senhor descreve Mariah e qual é a importância de incentivar a leitura e a escrita no ambiente escolar?
Idelvan dos Santos Ramos: Mariah é uma aluna nova na unidade escolar, uma menina muito inteligente, amorosa, amiga, comprometida e que gosta muito de ler. Para mim, como professor dela, é motivo de muita alegria e satisfação poder, nas minhas aulas, incentivá-la ainda mais ao ato de ler.
Amo muito trabalhar com textos literários com meus alunos. Eles irão realizar a Avaliação do Sabe, cujo foco central é a leitura e a escrita de cada um deles.


Mariah ainda tem oito anos e muitos caminhos pela frente. Talvez um dia se torne a médica obstetra que deseja ser, talvez encontre nas artes outras possibilidades de viver e compreender o mundo, ou descubra que não precisa escolher apenas uma dessas paixões. Por enquanto, sua história nos devolve uma pergunta que deveria acompanhar toda escola, toda família e toda instituição cultural: quantas crianças já têm histórias para contar, mas ainda não encontraram alguém disposto a escutá-las? Entre a mãe que transformava a leitura em aventura, o professor que reconhece e incentiva seu interesse pelos livros e uma escola que participa de projetos literários, Mariah começa a descobrir que escrever também é uma maneira de ocupar o mundo. Na Revista Aorta, acreditamos que democratizar a literatura é justamente ampliar essas possibilidades, permitindo que novas vozes encontrem espaço antes mesmo de saberem até onde podem chegar. E pensar que, no caso dessa pequena escritora, tudo começou diante de algumas bonecas, quando uma menina decidiu que também podia inventar o que aconteceria depois.





Respostas de 7
Eu Mariah Victoria estou emocionada pelo meu primeiro aparecimento então importante revista. Obrigada escola, ao meu professor Idelvan, e a minha mãe.
O prazer é todo nosso Mariah, siga sempre nessa jornada e temos a certeza que ainda ouviremos e leremos muito sobre você! Muita humildade, pés nos chão e estudos!
Uma menina que brilhou muito ao tratar com tamanha riqueza e alegria, a literatura e os contos infantis.
É a chegada de uma nova geração belíssima e sensível.
Parabéns Mariah ❤️
Uma menina que brilhou muito ao tratar com tamanha riqueza e alegria, a literatura e os contos infantis.
É a chegada de uma nova geração belíssima e sensível.
Parabéns Mariah!
A Literatura ganha asas assim: em crianças que de uma ilha a um continente que se encontram com escritores, pessoas que vivem a literatura, o mundo mágico das palavras e dos livros, e assim a leitura vai atravessando mares, continentes e ganha o mundo. Obrigada a revista @AORTA por está conosco em mais uma travessia literária com o Projeto As Literaturas que Flutuam em Ilha de Maré
A Literatura ganha asas assim: em crianças que de uma ilha a um continente que se encontram com escritores, pessoas que vivem a literatura, o mundo mágico das palavras e dos livros, e assim a leitura vai atravessando mares, continentes e ganha o mundo. Obrigada a revista @AORTA por está conosco em mais uma travessia literária com o Projeto As Literaturas que Flutuam em Ilha de Maré.
Que tenhamos sempre ouvidos e corações atentos àquilo que as crianças têm a dizer. Cada história de uma criança, simples e honesta, é uma forma de sensibilizar e enobrecer o mundo. Parabéns, Mariah, que a literatura continue despertando sua criatividade e te mostrando bons caminhos a trilhar.