No sábado, 14 de novembro, a Revista Aorta leva à Conexão Literária a mesa de conversa A literatura que pulsa em Camaçari, com autores da cidade, para falar de criar, publicar e fazer a palavra encontrar quem lê.
Talvez toda cidade guarde, em algum lugar, um livro que ainda não foi impresso. Ele está no caderno de capa dura esquecido na gaveta da cozinha, no arquivo salvo com o nome de “versão final 3”, no poema copiado à mão para dar de presente, na história que uma avó conta sempre do mesmo jeito e que ninguém pensou em escrever. Em Camaçari, esse livro tem muitos autores. Alguns já publicaram, assinaram dedicatórias, subiram em palcos de feiras. Outros ainda escrevem de madrugada, entre um turno e outro, sem saber se alguém vai ler.
Quem passa pela cidade costuma lembrar primeiro das chaminés do Polo Industrial ou da faixa de mar que vai de Jauá a Guarajuba. É uma imagem de trabalho e de paisagem, de gente que chega para produzir e de gente que vem para descansar. Raramente alguém pensa em Camaçari como uma cidade que escreve. E, no entanto, ela escreve: nas escolas onde professores insistem em sarau mesmo sem verba, nos grupos de leitura que se reúnem em casa, nos coletivos que imprimem pequenas tiragens e as vendem de mão em mão. A literatura feita aqui existe. O que nem sempre existe é o lugar onde ela possa ser vista e ouvida.
A palavra precisa de lugar
Escrever é um gesto solitário, mas a literatura não termina na última linha. Ela só se completa quando alguém lê, discute, discorda, recomenda. Entre o manuscrito e o leitor há um caminho longo, e é nesse caminho que muitos autores de cidades fora dos grandes centros editoriais se perdem: o custo da impressão, a ausência de livrarias, a distribuição que não chega, o edital que exige o que o autor ainda não tem, a sensação de que publicar é coisa de outro lugar.
É por isso que um encontro literário em Camaçari importa mais do que parece. A Conexão Literária, que chega à sua primeira edição com o nome de Semente, ocupa o Boulevard Shopping Camaçari de 14 a 16 de novembro com lançamentos, autógrafos, palestras, apresentações e atividades de incentivo à leitura. O lugar escolhido diz muito: em vez de esperar que o leitor vá até a literatura, ela vai até onde as pessoas já estão, no meio da rotina, entre uma compra e um café. É a palavra ocupando o espaço onde a vida acontece.
Uma mesa, cinco vozes
Foi nesse espírito que a Revista Aorta aceitou o convite para participar do encontro. No sábado, 14 de novembro, das 10h às 12h, no Lounge do Boulevard, acontece a mesa de conversa A literatura que pulsa em Camaçari. À mesa estarão Emerson Leandro, Laira Alves, Naiane Miranda e Kátia Letícia. A mediação é de Alex Brito, editor-chefe da Revista Aorta.





Não será uma palestra, com alguém no alto explicando o que é a literatura. Será uma conversa entre quem escreve e quem lê, com tempo para leituras curtas e para as perguntas do público. A ideia é escutar como a cidade atravessa a escrita de cada um: as ruas, o sotaque, as memórias de família, o trabalho, a praia, a pressa. E também falar do que vem depois da escrita, das escolhas entre publicar de forma independente ou buscar uma editora, das feiras, das redes, das escolas, do que ainda falta para que a produção local circule com a força que merece.
Por que a Aorta está nessa conversa
Desde o início, a Aorta acredita que uma revista literária é mais do que um lugar para publicar textos. É uma casa, uma ponte, uma rede que leva a palavra de quem escreve até quem precisa ler. A revista nasceu na Bahia e hoje circula entre leitores de dezenas de países, com colaboradores no Brasil, em Portugal e em outros lugares do mundo. Mas nenhuma dessas distâncias faz sentido se a gente perde de vista o chão de onde saiu.
Levar uma mesa da Aorta para o coração de Camaçari é um jeito de voltar a esse chão. É afirmar que a literatura feita aqui não é periférica nem menor, e que um autor da cidade pode ser lido com a mesma atenção dedicada a quem publica nas grandes capitais. É também um convite para que novos escritores percebam que o caminho existe, mesmo que ainda esteja sendo aberto.
O livro que ainda não foi impresso
Voltemos ao caderno esquecido na gaveta. Pode ser que, no sábado, alguém sente na plateia com ele na bolsa. Pode ser que, ao ouvir um autor da própria cidade falar das dificuldades e das pequenas vitórias de publicar, essa pessoa decida que o seu livro também merece existir. Encontros assim raramente mudam o mundo de uma vez. Mas costumam mudar uma pessoa por vez, e é assim que uma cidade começa a se reconhecer nas próprias histórias.
A mesa é aberta ao público, e a conversa só fica completa com quem chega para escutar e para falar. Puxe uma cadeira. A literatura de Camaçari está pulsando, e ela quer ser ouvida.
Serviço
| Mesa de conversa | A literatura que pulsa em Camaçari |
| Quando | Sábado, 14 de novembro de 2026, das 10h às 12h |
| Onde | Lounge do Boulevard Shopping Camaçari (BA) |
| Autores | Emerson Leandro, Laira Alves, Naiane Miranda e Kátia Letícia. |
| Mediação | Alex Brito, editor-chefe da Revista Aorta |
| Depois da mesa | Sessão de autógrafos com os autores |
| Evento | Conexão Literária · 1ª Edição | Semente, de 14 a 16 de novembro, no Boulevard Shopping Camaçari |
| Entrada | Aberta ao público |
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