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Menos crítica mais abertura

Por Márcia Vieira Ávila

À pergunta ‘afinal, o que é a arte’, podemos afirmar que é tudo aquilo a que alguém responde ‘eu, isto, fazia’, ou ‘não percebo nada disto’, ou ainda ‘essas coisas estranhas feitas por pessoas estranhas’.

Pois bem, se tem este efeito, na verdade, já é arte. Visto que tudo o que sai dos padrões é esquisito ou impercetível, na realidade, estamos a fazer arte. E se incomoda os marretas, então é porque estamos no bom caminho.

Pessoas cheias de convicções e cheias de sabedorias redundantes, são, na maior parte das vezes, os alvos perfeitos para testar o que é afinal arte.

Não quero com isto parecer fechada ou emitir uma opinião afunilada deste tema, mas ouvimos muitas vezes os críticos de arte e cultura a proferir frases tão estreitas quanto as suas visões e se a arte não tiver amplitude para se expandir, então, temos um problema na sua concepção base.

Muitas são as vezes que em que as crónicas nos parecem de horror e maledicência sem fundamento algum. Sem uma razão lógica ou efectiva do que poderá estar mal. Mais ainda são mais as vezes em que quem avalia a arte no geral o faz segundo a sua própria bitola ou gosto.

Ora, se isto não é uma ciência e se toca a todos de maneira diferenciada, como podemos emitir juízos de valor sobre o que é a arte sem que sejamos imparciais e democráticos? Estaremos nós a querer sobrepor o nosso gosto ou ínfimo conhecimento a quem nos lê, ouve ou acompanha? Que juízos de valor são estes que pretendemos impor?

No meu contínuo estudo do que é, afinal, a arte, tenho mais perguntas do que respostas e ainda mais dúvidas do que certezas. Posso na maior parte das vezes não compreender ou até mesmo não estar de acordo com uma determinada sinopse, mas isso não implica que não respeite e me adeque à coexistência com essa arte que me rodeia.

O que se depreende é que, se faz pensar, se questiona ou se, até mesmo, intimida, é porque essa arte está a fazer o seu papel na perfeição. O incómodo causado por algo que desconhecemos é o primeiro passo para que o enfrentemos, o assimilemos e, sem saber, o ultrapassemos.

Se é fácil compreender esta questão tão abstracta? Sei que não.

Se é possível? Tenho a certeza que sim.

O ponto primordial, quando a questão ultrapassa a nossa capacidade de resposta, será darmos espaço para assimilar mais conhecimento. Agregarmos saber e não repudiarmos o desconhecido.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico

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Last modified: 04/08/2026

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