Artigo por Emerson Leandro

A GRANDE VILÃ DO PROCESSO COGNITIVO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL
No mundo moderno, as telas são onipresentes. De smartphones a computadores, estamos constantemente imersos em um mar de informações digitais. No entanto, o uso excessivo dessas tecnologias pode ter um impacto significativo no nosso processo cognitivo e, consequentemente, na nossa formação profissional.
Nosso cérebro é uma máquina extraordinária, capaz de realizar tarefas complexas e armazenar uma quantidade imensa de informações. No entanto, o uso prolongado e contínuo de telas pode afetar negativamente essa capacidade. Pesquisas indicam que a exposição constante a estímulos digitais pode reduzir nossa capacidade de concentração e de memória de trabalho.
A interrupção frequente e a multitarefa digital podem levar à fragmentação cognitiva, dificultando a capacidade de manter o foco em uma única tarefa.
É o que afirma a Dra. Gloria Mark, professora de informática na Universidade da Califórnia, Irvine. Um estudo realizado pela Microsoft concluiu que a média de atenção humana caiu de 12 segundos em 2000 para 8 segundos em 2013, em parte devido ao uso massivo de dispositivos digitais. Isso ocorre porque o cérebro está sempre sendo bombardeado por novas informações, o que pode levar à sobrecarga cognitiva e à dificuldade em reter e processar dados importantes.
A formação profissional, como sabemos, exige foco, dedicação e a capacidade de assimilar conhecimentos e habilidades. Naturalmente quando o processo cognitivo está comprometido pelo uso excessivo de telas, esses elementos essenciais podem ser prejudicados. Profissionais que dependem de uma mente ágil e alerta podem, por exemplo, encontrar dificuldades em acompanhar as demandas do mercado de trabalho, que está em constante evolução. Segundo Daniel Levitin, autor de “A Mente Organizada: Como Pensar com Clareza na Era da Sobrecarga de Informação”, a multitarefa digital pode diminuir a produtividade e aumentar os níveis de estresse. Ele ressalta que:
A constante alternância de tarefas digitais pode resultar em uma queda de até 40% na produtividade.
É importante reconhecer que vivemos em um mundo onde a tecnologia é uma ferramenta indispensável. Não se trata de demonizar o uso de telas, mas de encontrar um equilíbrio saudável. Ao limitarmos o tempo de exposição e promovermos atividades que estimulam o cérebro de maneira diferente, como a leitura de livros físicos, a prática de exercícios físicos e a interação social face a face, podemos mitigar os efeitos negativos e fortalecer nossas habilidades cognitivas.
Um estudo da Universidade de Sussex descobriu que a leitura de livros físicos pode aumentar a empatia e a capacidade de compreender diferentes perspectivas, habilidades cruciais para o desenvolvimento profissional. Além disso, a prática regular de exercícios físicos tem sido associada à melhora da função cognitiva, segundo a American Psychological Association.
A relação entre o uso de telas e o impacto no processo cognitivo é uma questão relevante e urgente, especialmente no contexto da formação profissional. Ao adotarmos práticas conscientes e equilibradas, podemos proteger nossa capacidade mental e, consequentemente, garantir um desenvolvimento profissional mais robusto e eficaz. Afinal, o futuro pertence àqueles que conseguem equilibrar a tecnologia com a sabedoria do uso consciente.
Last modified: 28/09/2026





