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IA na Educação

Por Filipe Miguel Araújo

“Ontem fiz o trabalho para apresentar na aula de História em dois minutos”, confidencia um amigo para outro. Esta situação, cada vez mais comum, vai ao encontro de um novo paradigma que vai (já está) inundar todos os setores da sociedade. A Educação é um dos setores onde a influência da IA começa a notar-se, com o uso de ferramentas por parte de alunos a partir de uma certa idade, para fazer pesquisas e realizar trabalhos com um esforço quase zero (ou mesmo sem qualquer zelo em editar os textos). Teria aqui “pano para mangas” acerca da influência da IA na Educação, contudo, sendo eu professor do 1º ciclo, prefiro centrar-me na faixa etária que me diz respeito, dos 6 aos 10 anos de idade. 

Ao contrário de outras fases de crescimento, as crianças no pré-escolar e no primeiro ciclo têm uma forte necessidade e uma quase dependência do professor que os acompanha. Claro que um dos trabalhos do professor é reduzir essa dependência, incentivando e desenvolvendo competências como autonomia, responsabilidade, relações interpessoais, entre muitas outras. Não esquecendo ainda que, nesta idade, um professor é professor, pai, mãe, educador, médico, psicólogo, mediador de conflitos, etc… Ou seja, nesta faixa etária, o professor ocupa um papel muito relevante que não se esgota, longe disso, nos conteúdos programáticos. Por essa razão, no perfil do professor do primeiro ciclo, é tão importante o conhecimento científico como a capacidade pedagógica. Não são poucas as vezes em que a intervenção com uma determinada criança é completamente diferente da intervenção com outra. E quando se fala das ações que o professor empreende para ajudar um aluno a aprender, quem está dentro da realidade escolar do 1º ciclo, sabe que esse trabalho não termina apenas na utilização de estratégias de ensino diferentes, ou mesmo, aplicação de medidas pedagógicas distintas. O próprio conhecimento de cada aluno e da sua personalidade ajuda o professor a agir consoante a mesma, no sentido de ajudar essa criança a sentir-se mais confiante e, dessa forma, mais predisposta para o processo de ensino/aprendizagem. Saber quando falar docemente ou quando ter uma atitude mais firme e enérgica. Saber quando precisam de um abraço, ou pelo contrário, de uma suave reprimenda. Ou ainda, por exemplo, saber quando dar algum espaço ou estar mais presente na realização de alguma atividade. Tudo isto é valioso e insubstituível. Apesar de tudo o que disse acima, acredito que a IA, neste ciclo de ensino, pode ter um papel: não como substituto de professor, mas sim, de apoio ao mesmo. Esta ferramenta permite facilitar a produção de materiais didáticos, fichas de trabalho e de avaliação, ou ainda, e cada vez mais importante, auxiliar na elaboração de materiais de diferenciação pedagógica, essencial em salas de aula cada vez mais heterogéneas, seja em ritmos de aprendizagem, como na multiculturalidade.

Em conclusão, e olhando para este texto apenas como um ponto de partida para um debate que se quer mais profundo e que envolva os diferentes atores ligados à Educação, a minha opinião relativamente à IA no 1º ciclo é que não a considero como uma inimiga, mas sim, como uma ferramenta poderosa que me auxilie no trabalho diário da preparação das aulas. Já quanto à possibilidade, ainda timidamente aventada por alguns, da IA como substituto do professor, penso que seja impraticável, e indesejável, em alunos mais novos, ainda numa fase de desenvolvimento que necessita de uma forte componente humana. Nada que funcione através de IA irá alguma vez suprir as necessidades de carácter humano essenciais na educação dos nossos alunos mais novos.

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Last modified: 20/05/2026

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