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Vanessa Clasen e a conquista do Prêmio Flipoços Renovagraf para Escritores Independentes

Por Olga Pessoa

Durante a Flipoços 2026, conversamos com a escritora, jornalista, tradutora e pesquisadora literária Vanessa Clasen, autora do romance A Última Guardiã de Camões, obra vencedora do Prêmio Flipoços Renovagraf para Escritores Independentes. Natural de Santa Catarina e radicada em Florianópolis, Vanessa tem se destacado na literatura contemporânea por abordar temas como o apagamento da autoria feminina, a memória, o autoconhecimento e os laços familiares. Sua escrita combina lirismo, investigação histórica, suspense e reflexão social, convidando os leitores a revisitar personagens e narrativas que ficaram à margem da história oficial. Recentemente premiada, a autora vem conquistando novos leitores e consolidando sua voz no cenário da literatura independente brasileira.

Quem é a escritora Vanessa Clasen e qual a importância desse prêmio para você?

Sou jornalista, escritora, tradutora e escritora independente. Esse prêmio é muito importante porque nós, escritores independentes, começamos de baixo e enfrentamos muitos desafios. Meu primeiro livro começou a ser estruturado quando eu tinha pouco mais de vinte anos, mas só consegui concluí-lo doze anos depois. A publicação aconteceu apenas em 2024.

Receber esse prêmio foi como ouvir uma confirmação para continuar escrevendo, como se alguém dissesse: “Continue, Vanessa, porque existe uma voz que as pessoas querem ouvir”. Para mim, também representa um incentivo para tantos escritores que mantêm seus trabalhos guardados por medo ou insegurança. É uma prova de que vale a pena insistir e publicar.

Como é a vida de um escritor independente?

É uma vida bastante solitária. Tenho a sorte de contar com o apoio do meu esposo, que brinca dizendo que é “marido de escritora”. Ele me ajuda na divulgação e na venda dos livros, porque nem sempre o escritor sabe vender a própria obra.

Também contamos com pequenos apoios que surgem pelo caminho, como gráficas, revistas e eventos literários. As feiras são fundamentais, porque nos aproximam dos leitores. Quando recebo mensagens de pessoas dizendo que meu livro tocou seus corações, lembro por que escrevo. Isso faz todo o esforço valer a pena.

Como a literatura entrou na sua vida?

A literatura faz parte da minha vida desde muito cedo. Aprendi a gostar de ler ainda criança, quando meus pais assinaram para mim os quadrinhos da Turma da Mônica. A partir dessas leituras, nasceu o desejo de escrever.

Minha mãe conta que eu não gostava do jardim de infância porque sentia falta da escrita. Eu rabiscava e criava histórias desde pequena. No entanto, minha baixa autoestima me impediu de publicar por muitos anos. Hoje, aos 44 anos, percebo que demorei demais para acreditar em mim mesma.

Se pudesse deixar uma mensagem para outros escritores, diria para não esperarem tanto quanto eu esperei. Não tenham medo de publicar.

Quais temas aparecem com mais frequência nas suas obras?

O principal tema é o apagamento da autoria feminina. Tenho explorado essa questão a partir de uma provocação literária relacionada a Luís de Camões: e se mulheres tivessem contribuído para grandes obras da literatura, mas tivessem sido apagadas da história?

Também escrevo muito sobre autoconhecimento, autoestima e autovalorização. Essas questões surgem da minha própria trajetória pessoal.

Outro tema muito presente é a relação entre avós e netos. Minha avó, professora de português, foi uma figura essencial na minha vida e me inspirou profundamente. Ela viveu até os 103 anos e foi responsável por despertar em mim o amor pela literatura.

Quais autores e autoras influenciam sua produção literária?

Sou apaixonada por Carlos Ruiz Zafón. O livro Marina é meu favorito e, inclusive, inspirou o nome da protagonista da minha obra premiada.

Também admiro muito Gabriel García Márquez, Clarice Lispector, Machado de Assis, Cruz e Sousa e Virginia Woolf. Todos eles contribuíram para a construção da minha trajetória como leitora e escritora.

Sua escrita nasce da observação do mundo ou da introspecção?

Minha escrita nasce da dor. Quando sinto alguma dor emocional, consigo transformá-la em literatura. A partir disso, observo o mundo ao meu redor e incorporo elementos reais às minhas histórias.

Por exemplo, conheci um motorista de aplicativo que andava com um ET inflável no carro. Achei aquilo tão curioso que ele acabou se transformando em personagem de uma das minhas narrativas.

Como está sendo seu contato com o público durante a Flipoços?

Está sendo maravilhoso. É emocionante perceber que os leitores compartilham dores e sentimentos semelhantes aos meus. Essas trocas me incentivam a continuar escrevendo.

Inclusive, já estou escrevendo a continuação de A Última Guardiã de Camões. Estou no capítulo 16 e pretendo transformar a história em uma trilogia.

Fale um pouco sobre o livro A Última Guardiã de Camões.

É um romance histórico que mistura suspense, ação, aventura e romance. A história se passa em Portugal e acompanha Marina, uma brasileira criada pela avó.

Após a morte da avó, que era sua única referência familiar, Marina viaja para Portugal em busca de respostas. Lá, descobre que a avó foi assassinada por uma sociedade secreta que tentava esconder segredos relacionados a Luís de Camões e ao apagamento da autoria feminina.

Ao longo da trama, Marina assume a missão de proteger esses segredos literários. Ela conta com a ajuda de Pedro, um investigador português, e juntos percorrem Portugal enquanto tentam desvendar mistérios, escapar de perseguidores e revelar a verdade.

Para quem ainda não conhece sua obra, por que começar a lê-la?

Porque minhas histórias tratam de temas universais. Elas falam sobre relações familiares, especialmente entre avós e netos, abordam morte, luto, superação e autodescoberta.

Acima de tudo, procuram mostrar que é possível enfrentar os próprios medos, superar angústias e se tornar uma versão melhor de si mesmo.


Mais do que uma autora premiada, Vanessa Clasen representa a força da literatura independente brasileira.
O reconhecimento conquistado na Flipoços reforça a relevância de sua voz no cenário literário contemporâneo e aponta para um futuro promissor.

Com novos projetos em andamento e a continuação de A Última Guardiã de Camões já em desenvolvimento, Vanessa segue ampliando seu universo literário e conquistando leitores pelo Brasil.

Conheça a escritora: @vanessaclasen.escritora

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Last modified: 11/06/2026

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