Por Olga Pessoa

A chama do flamenco que pulsa em Salvador ganha corpo, voz e propósito no novo espetáculo da bailarina e coreógrafa Flora Bacelar. Em cartaz nesta quarta-feira (29), no Teatro Gamboa, a montagem propõe mais do que uma apresentação de dança: é um mergulho sensível e potente nas camadas do existir através do movimento.
À frente da companhia Flamenco Salvador Flora Bacelar, a artista apresenta o espetáculo “FlamenCura – Qual o corpo que dança?”, uma obra que parte de uma provocação simples e profunda: que corpo é esse que dança em nós? A partir desse questionamento, o palco se transforma em espaço de escuta e transformação.
A dramaturgia do espetáculo dialoga com a ideia de que cada corpo carrega suas próprias histórias, o corpo criança, o corpo adulto, o corpo atravessado pelas experiências da vida. Inspirada também nas reflexões da pesquisadora Jussara Miller, Flora constrói uma narrativa que transita entre a dança e o autoconhecimento, sem cair em fórmulas terapêuticas, mas assumindo a arte como caminho de consciência.
O primeiro ato se desnuda na pergunta: qual o corpo que dança? Já o segundo se abre para a catarse coletiva, aquilo que o flamenco tem de mais visceral. É nesse momento que surge o conceito de “FlamenCura”, uma fusão entre flamenco e cura, não como solução, mas como processo. A dança aparece como esse lugar de encontro onde emoções são elaboradas, liberadas e ressignificadas.
Com mais de duas décadas dedicadas ao flamenco, Flora Bacelar construiu sua trajetória entre Salvador, Rio de Janeiro e experiências internacionais, incluindo passagens pela Espanha. Sua pesquisa é atravessada por uma busca constante: experimentar, arriscar e sustentar a autenticidade como princípio artístico. Essa inquietação se reflete em cena, onde técnica e verdade caminham juntas.
Fundada em 2019, a companhia que leva seu nome reúne bailarinas que compartilham não apenas a prática da dança, mas um espaço de convivência e pertencimento. No palco, isso se traduz em presença, não apenas coreográfica, mas humana.
O espetáculo também evidencia os desafios de fazer flamenco em Salvador: desde a necessidade de estrutura adequada, como o tablado, essencial para a percussão dos sapatos, até a dificuldade de manter músicos e uma cena contínua. Ainda assim, a companhia resiste, criando, produzindo e reafirmando o flamenco como uma arte possível e necessária.
No elenco, dividem a cena com Flora as bailarinas Ana Paula Lôbo Monteiro, Carol Amadeo, Catarina Bassi, Emanuela Tosta e Rachel Goes Nunes. A percussão ganha força com o cajón de André Liberato, Laís Portela, Lu Pitangueira e Sheila Nascimento, ampliando a experiência sensorial do espetáculo.
Mais do que técnica ou estética, “FlamenCura” é sobre presença. Sobre o instante em que o corpo esquece o mundo externo e se reconecta com aquilo que pulsa por dentro. Um convite para sentir e, quem sabe, se reconhecer.














Serviço
O quê: Espetáculo “FlamenCura – Qual o corpo que dança?”
Quando: 29 de abril de 2026, às 19h
Onde: Teatro Gamboa
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/119306
Fotos: Caio Lírio (@caiolirio)
Instagram da Companhia- @flamencosalvadorflorabacelar
Last modified: 28/04/2026














